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Entre monotrilhos, VLT´s e BRT´s, o que falta é metrô
07/07/2010
sp_fajardo2Wagner Fajardo é presidente da Fenametro, secretário-geral do Sindicato dos Metroviários de SP e da UIS-Transporte (União Internacional de Sindicatos de Transporte)

O Brasil vai sediar, nos próximos anos, dois importantes eventos sportivos: a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016. Com isso, o debate sobre o transporte público de passageiros nas cidades-sedes destes eventos ganha uma nova perspectiva, e os projetos de expansão e melhoria dos sistemas existentes surgem na emergência do tempo para
realizá-los.

Já temos um PAC da Copa, projetos de monotrilhos em algumas cidades, projetos de VLT’s (Veículos Leves sobre Trilhos) e BRT’s (Bus Rapid Transit ou corredores segregados de ônibus) em outras, mas nada se fala sobre a ampliação dos sistemas metroferroviários.

O programa investirá R$ 11,48 bilhões em 47 projetos destinados à mobilidade urbana, sendo que nenhum centavo será aplicado para ampliação das redes metroviárias existentes em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre, nem na implantação de novas redes reivindicadas em Curitiba, Salvador e Fortaleza.

Cabe ressaltar que a maior parte destes recursos (R$ 7,68 bilhões) é proveniente do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e teria que atender principalmente os interesses dos trabalhadores.

Em São Paulo, por exemplo, a moda, agora, “inventada” por José Serra é o monotrilho. Mesmo em locais e regiões onde comprovadamente este sistema não conseguirá dar conta da demanda de passageiros, interesses não confessáveis transformaram antigos projetos de metrô em projetos de monotrilho.

Outro exemplo é o Rio de Janeiro, cidade que sediará os dois eventos, onde a situação é mais grave ainda. O governo Sérgio Cabral alterou alguns traçados dos projetos metroviários que já existiam, e substituiu outros por corredores de ônibus, alterações que não atenderão a demanda nem o interesse da população carioca.

Por isto é que o movimento popular e os trabalhadores pressionam para que os Conselhos Nacional e Estaduais das Cidades sejam órgãos deliberativos e que tenham meios para fiscalizar e autorizar investimentos nas questões urbanas que poderiam, no mínimo, diminuir a pressão dos lobbies poderosos de empreiteiras, multinacionais e empresários de ônibus que se locupletam com estes projetos duvidosos.
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